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Pedra de Xangô, Nzazi, Sogbo, “Arquitetura sem paredes, portas, janelas, sem fora e dentro, mas lugar do abrigo de histórias de índios fugidos, morada de lendas, de lutas e resistências de negros quilombolas, cabanas de caboclos, o habitar de Orixás, Voduns e Inquices, a casa de Xangô – reverenciado pelo Alaafin de Oyó.”

Prof. Dr. Fábio Macedo Velame.



LIVRO DO MÊS

A Editora Atena publicou recentemente o E-book "ABC do Paisagismo" que reúne textos de diversos pesquisadores sobre as transformações históricas da paisagem e suas consequências nos dias atuais.

A Pedra de Xangô compõe um capítulo do livro com o tema: "Paisagismo religioso: Parque em Rede Pedra de Xangô, um patrimônio cultural e geológico presente nas tradições afrodescendentes da cidade de Salvador-Bahia".

Pedra de Xangô - Nzazi - Sogbo

A Pedra de Xangô é um patrimônio cultural, geológico, simbólico, mítico da cidade de Salvador – Bahia. A palavra “Xangô” é um conceito polissêmico e abrange o termo nas nações Ketu, Angola e Jeje e, também, os outros nomes como é conhecido o rochedo. A referência nos textos ao termo “Pedra de Xangô” não se deve à suposta primazia da nação Iorubá (nagôcentrismo), mas pelo simples fato do monumento ser mais conhecido como Pedra de Xangô. Portanto, toda vez que mencionarmos Pedra de Xangô entenda-se Pedra de Xangô, Nzazi, Sogbo, do Buraco do Tatu, da Onça e do Ramalho, numa nítida demonstração do sentimento de pertença que as nações Ketu, Angola e Jeje e demais segmentos nutrem para com a pedra. (SILVA, 2017).

Salvador é uma das cidades mais desiguais do país. Herança da colonização, a sua organização sócio-espacial sempre foi pensada para excluir os menos favorecidos e esta lógica perdura até os dias atuais. Outrora, os quilombos constituíam-se em uma alternativa para a população negra escravizada. Na contemporaneidade, a periferia (o chamado miolo, subúrbio e área norte) é onde se concentra a maioria dos bairros pobres, formados por um número expressivo de afrodescendentes. A ausência de políticas públicas - infraestrutura, saneamento básico, segurança pública, sistema de saúde, sistema educacional, espaços de cultura e lazer direcionadas à população negra consolida e aprofunda a segregação étnica- racial na cidade.

É considerada a cidade mais negra fora da África, a matriarca Roma Negra que “canta” os seus terreiros de candomblé, a capoeira, os afoxés, os blocos afros, as baianas e o seu rico patrimônio cultural afro-brasileiro. Mas, esta é a mesma cidade que ao longo da sua existência sempre produziu um dos mais segregadores e racistas planos diretores das capitais brasileiras. Os governos municipal e estadual, através dos órgãos de turismo, propiciam condições para que o rico patrimônio cultural afro-brasileiro seja agenciado e apropriado pela indústria cultural, a indústria do axé, a indústria do turismo, notadamente do turismo étnico. Com isso, transformam o povo negro da cidade em algo exótico, pitoresco, um fetiche, uma mercadoria, sem garantir a proteção dos seus símbolos sagrados.

A proposta de criação das Unidades de Conservação desenvolveu-se no âmbito de uma pesquisa acadêmica onde a preocupação com: o sagrado, o patrimônio cultural, o lugar, o meio ambiente, as relações étnicas-social foram determinantes nas tomadas de decisões. A cartografia da APA Municipal Vale do Assis Valente e do Parque em Rede Pedra de Xangô buscou garantir no PDDU (2016) uma parcela dos direitos secularmente negados a população negra: o direito à cidade. Encaminhada à Câmara de Vereadores, através de emenda parlamentar, a proposta viabilizou a criação de instrumentos legais de proteção e preservação da Pedra de Xangô localizada em área considerada remanescente de quilombos, morada dos índios tupinambás, morada dos deuses, orixás, voduns inquices e encantados.

Este portal objetiva apresentar os mecanismos e estratégias utilizados pelas Comunidades de Terreiros e movimentos sociais da cidade de Salvador para viabilizar a cartografia étnica-social da Pedra de Xangô e da Avenida Assis Valente, bem como a aprovação no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano - PDDU de 2016 da Apa Municipal Vale do Assis Valente, do Parque em Rede Pedra de Xangô. Objetiva, ainda, tecer breve comentário sobre o reconhecimento da Pedra de Xangô como patrimônio cultural da cidade de Salvador e como geossítio de relevância nacional pela CPRM - Serviços Geológicos do Brasil.

IDEALIZADORA DO PORTAL

Maria Alice Pereira da Silva, natural do Rio de Janeiro, advogada, doutoranda e mestra em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU-UFBA-2017), especialista em Direito do Estado, Direito Civil e Processual Civil, analista comportamental, militante com reconhecida participação no enfrentamento ao racismo e na promoção da igualdade racial no Estado da Bahia (homenagem concedida pelo Ministério Público do Estado da Bahia - MP-BA, em 2017, em comemoração aos 20 anos de criação da Promotoria de Justiça e Combate ao Racismo), foi presidente da Comissão Afrodescendente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seção - BA (2004), dirigente da Secretaria Municipal da Reparação da cidade de Salvador-Bahia - SEMUR (2009), Chefe de Gabinete da Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (2014-2017). Atualmente é membro do Grupo de Pesquisa EtniCidades – (PPGAU-UFBA), da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros, (ABPN), do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, (IGHB) e sócia efetiva do Instituto dos Advogados da Bahia (IAB-BA). Idealizadora do portal www.pedradexango.com.br.

A sua pesquisa, no mestrado intitulada “Pedra de Xangô: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador” possibilitou a criação de duas unidades de conservação no município: a APA Municipal Vale do Assis Valente e o Parque em Rede Pedra de Xangô, compôs o laudo etnográfico do processo de tombamento municipal da Pedra de Xangô e subsidiou os estudos para o reconhecimento do monumento rochoso como geossítio de importância cultural e relevância nacional pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil. Participou do VI Prêmio República de Valorização do Ministério Público Federal promovida pela Associação Nacional dos Procuradores da República - ANPR em 2018, na categoria advocacia, com o artigo “Os caminhos percorridos para o tombamento municipal da Pedra de Xangô em Salvador-Bahia” tendo sido classificada em terceiro lugar. Trabalha com Direitos de povos de matrizes afro-brasileiras, Diáspora Negra no Mundo Atlântico, cidade e negritude.

Áreas de interesse: Cultura, Políticas Públicas, Direitos Humanos, Racismo, Meio Ambiente, Desenvolvimento Humano.

Patrimônio Cultural

PEDRA DE XANGÔ, NZAZI, SOGBO: PATRIMÔNIO CULTURAL DA CIDADE DE SALVADOR

Decorridos 12 anos de lutas, em 05 de maio de 2017, a Pedra de Xangô foi tombada pelo Município, através da Fundação Gregório de Mattos. A sociedade civil organizada, notadamente, as comunidades de terreiros; o Grupo de Pesquisa EtniCidades do PPGAU-UFBA e, sobretudo, a dissertação “Pedra de Xangô: um lugar sagrado afro-brasileiro na cidade de Salvador” (indicado como material etnográfico do processo de tombamento) foram atores importantes nessa conquista.

Tivemos outros desdobramentos auspiciosos: precederam o tombamento da Pedra de Xangô, a criação no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano da cidade de Salvador da Área de Proteção Ambiental (APA) Vale da Avenida Assis Valente e do Parque em Rede Pedra de Xangô. Veja mais.

POESIA - TOTEM DO SÁBIO

Pedra inerte
Solitária desértica
Sobre a terra erguida jaz
Tem como companheira a noite
De dia os olhos perplexos a te contemplar
Quem tu és?
Porque aqui estás?
Sou força da natureza
Expressão viva de um Vodun,
Inkice, Caboclo,
Encantado ou Orixá
Sou o próprio encanto, no canto
O ponto de encontro do sobrenatural
Não importa que seja Barú ou Dadá


Aganjú ou Afonjá,
Não importa que seja Xangô, Nzazi, Sogbo
Loko, Hevioso, Badé ou Akolombé,
Só é preciso ter fé
Seja no Keto, Angola ou Jeje
Sou a personificação do poder
Rei do trovão
Sou totem do sábio
Rei que manda o clarão do raio
Sou a personificação de quem crê
Na divindade que segura o oxê
Que manda axé e muito owo pra você.

Patrimônio Geológico

GEOSSÍTIO - PEDRA DE XANGÔ, NZAZI, SOGBO

Geossítio Pedra de Xangô, também conhecido como Pedra de Nzazi, e de Sogbo. A Pedra do Antigo Quilombo do “Buraco do Tatu” é um sítio geológico de importância cultural e relevância em nível nacional reconhecida pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM.

RIBEIRO, Adalberto de Figueirêdo; MORAES, Antônio Marcos Vitória de. Inspeção geológica de superfície ao monumento lítico afro religioso: “Pedra de Xangô”, Fazenda Grande II, Salvador, Ba. Companhia Baiana de Pesquisa Mineral – CBPM 2015. 30 p.

MAGARÃO JÚNIOR, Sérgio; PEREIRA, Ricardo Galeno Fraga de Araujo. Sistema de Cadastro e Quantificação de Geossítios e Sítios da Geodiversidade – GEOSSIT (Serviço Geológico do Brasil – CPRM). Geossítio Pedra de Xangô, 2017.

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